O QUE EU QUERO PARA O MEU BRASIL

Não é assunto de partido. O que eu vou contar atravessou vários governos, de cores diferentes, e continua igual. Por isso mesmo é urgente.
Proibido lá, vendido aqui
Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete não podem mais ser usados na lavoura da União Europeia. Alguns saíram de lá há mais de vinte anos. Os europeus retiraram esses produtos por suspeita de câncer, de malformação no bebê ou de bagunça nos hormônios. As mesmas fábricas europeias que não podem vender esses produtos em casa continuam fabricando e exportando. Aqui, eles seguem entre os campeões de venda.
Até pouco tempo, um agrotóxico só entrava no mercado se passasse por três portas: a da agricultura, a do meio ambiente (Ibama) e a da saúde (Anvisa). A nova lei dos agrotóxicos, apelidada de “PL do Veneno” por quem foi contra, passou na Câmara em 2022 e no Senado em 2023. O presidente vetou os trechos que tiravam poder da saúde e do meio ambiente. Em maio de 2024, o Congresso Nacional derrubou esses vetos, numa articulação liderada pela bancada ruralista. Hoje a palavra final sobre o registro é do Ministério da Agricultura.
Quem tirou a caneta da Anvisa
Até pouco tempo, um agrotóxico só entrava no mercado se passasse por três portas: a da agricultura, a do meio ambiente (Ibama) e a da saúde (Anvisa). A nova lei dos agrotóxicos, apelidada de “PL do Veneno”, passou no Congresso e tirou poder da saúde e do meio ambiente. Hoje a palavra final sobre o registro é do Ministério da Agricultura.
Em 2025 o país bateu recorde: 912 registros de agrotóxicos em um ano. A pressão do setor funciona com qualquer presidente.
O imposto que premia o veneno
O agrotóxico tem desconto de ICMS e IPI zero. A reforma tributária deu ao agrotóxico 60% de desconto nos novos impostos sobre consumo, enquanto os ultraprocessados ficaram fora do chamado “imposto do pecado”. Quem planta com veneno ganha desconto, e quem vende ultraprocessado não paga a mais por isso.
Tarefas para o primeiro dia e o Brasil que toleramos
Nenhuma delas é invenção minha: ou já funcionam em outro país, ou já estão no debate brasileiro.
Um país que envenena o prato da sua população é o mesmo que normaliza as violências estruturais de cada dia.
Se queremos governantes cobrados por uma mudança real, precisamos olhar para as opressões que atravessam o nosso povo. Um Brasil de verdade não pode tolerar:
• Etarismo: a discriminação contra as pessoas idosas.
• Homofobia e Transfobia: o ódio e a violência contra homossexuais e transexuais.
• Misoginia e Machismo: o preconceito e a violência sistemática contra as mulheres.
• Capacitismo: a barreira e o julgamento que marginalizam os deficientes físicos.
• Aporofobia e Preconceito de Classe: a aversão e o descaso estrutural contra as pessoas pobres.
Eu escolhi trabalhar com farinha orgânica certificada, de moinho de pedra. Não conto isso para vender. Conto para você saber de onde eu falo. Pão é farinha, água, sal e tempo.
O que vem antes da farinha, na lavoura, e o que acontece com a nossa gente nas ruas e nos lares, também é problema meu e seu. E é tarefa de quem vai governar.
Seja quem for o eleito, a lista é a mesma. A cobrança também.